
Street Fighter IV.
Até meados da década de 1990, Street Fighter era uma franquia tão famosa quanto Mario Bros. ou Sonic. A segunda versão do jogo causou o “boom” de vendas do Super Nintendo, o primeiro surto de pirataria/hacks de que se tem notícia, e vendeu horrores. Nos fliperamas, filas formavam-se em todos os cantos do mundo. Definitivamente, Street Fighter, especialmente Street Fighter II – World Warriors, colocou a Capcom dentre as grandes produtoras de games.
18 anos depois de Street Fighter II, e após um longo jejum de novos títulos da série, no início de 2009 a Capcom lançou Street Fighter IV, marcando, de maneira triunfal, a volta da série ao mainstream dos jogos eletrônicos. Lançado inicialmente nos fliperamas, para Xbox 360 e PlayStation 3, no início de julho o jogo, enfim, chegou ao PC. E agora você confere, em detalhes, se SFIV valeu a espera e faz jus ao legado de uma das maiores franquias da história do video game.

Nome: Street Fighter IV
Desenvolvedora: Capcom
Publisher: Capcom
Data de lançamento: 7 de julho de 2009
Gênero: Luta
Modos de jogo: Singleplayer; multiplayer (local e online)
Classificação: T (+13)
Compre Street Fighter IV
Os mesmos acima, exceto:
Para os fãs de outrora, Street Fighter IV chega a ser quase uma celebração. A Capcom abandonou a estratégia suicida emprega em Street Fighter III, de abandonar quase todos os personagens clássicos em prol de inéditos. Mas o fez de forma radical; não há sequer um sobrevivente da terceira versão da série. De qualquer maneira, Ryu, Ken, Chun-li, Bison e todos os demais oriundos de Super Street Fighter II Turbo, com exceção de T.Hawk e DeeJay, estão ali, somados a Sakura, Rose e Dan do spin-off Street Fighter Alpha, Gouken, o lendário mestre de Ryu e Ken, Gen, do primeiro Street Fighter, de 1987, os estreantes Abel, Rufus, El Fuerte, C.Viper e Seth, o chefão da vez.
A mudança mais profunda em relação aos games anteriores é, sem sombra de dúvida, a parte gráfica. Street Fighter nasceu e fez história como um game bi-dimensional, 2D. No já longínquo ano de 1996, em parceria com a Arika, a Capcom lançou mais um spin-off, Street Fighter EX, que trazia os lutadores de rua para o então inovador e populoso universo dos jogos de luta em 3D. Apesar dos gráficos horrendos, o jogo mantinha a jogabilidade clássica, e por isso fez muito sucesso – e, a bem da verdade, era realmente divertidíssimo. Já escrevi que tenho a sensação de que Street Fighter IV seja uma fusão da série clássica com a EX, e após jogar a quarta versão do game, essa sensação aumentou. Não que seja ruim, só acho que deturpa um pouco a série principal, sobre a qual a Capcom sempre foi muito cautelosa…
Questões filosóficas à parte, a verdade é que Street Fighter IV é divertido, tanto jogando sozinho, quando em multiplayer, seja local ou pela Internet. A jogabilidade é bastante fiel às versões clássicas, com algumas novidades interessantes e que aumentam o dinamismo das lutas. Os personagens são carismáticos, os gráficos, embora tridimensionais, são bonitos, enfim, é um grande jogo, em todos os sentidos.
3D. A recepção até que foi positiva – pelo visto, fãs chatos exigentes estão ficando raros. Mas confesso que esperava um Street Fighter puro sangue, 2D. O jogo lembra muito, tanto em gráficos, quanto na jogabilidade, Street Fighter EX.
Deixando de lado o “podia ser…”, a parte gráfica cumpre seu papel. Os gráficos são muito belos, e na versão PC, possuem variações, três diferentes estilos de bordas que não são lá grandes coisas, mas ajudam a requentar o visual depois de algum tempo de jogatina.
Os cenários, ao contrário de todos os jogos anteriores, não são atrelados aos personagens. Em outras palavras, não temos ”a fase do Blanka”, ou “a fase do Ryu”. Temos cenários em países, que são usados aleatoriamente. O jogo perde pontos ao tomar esse rumo no quesito nostalgia – afinal, não é nada que atrapalhe o conjunto da obra. Alguns cenários são interativos. No da África, dá para quebrar a asa do avião quando este está próximo; no da cervejaria (Alemanha?), muitas quedas próximas da estante de engradados faz com que todos os barris caiam; no da China, os pedestres tremem com as quedas dos personagens, alguns até caem da bicicleta. Pequenos adendos que agradam e não intereferem no desempenho do jogo.
Os personagens ficaram fieis aos modelos clássicos, mas excessivamente bombados. Brinco dizendo que o Ken parece a versão branca do Hulk dos filmes trash da década de 1980. Confira o comparativo:

Separados no nascimento: Hulk e Ken.
Mas passa; licenças poéticas permitidas e aceitáveis n’algo como Street Fighter.
Músicas cantadas, gritos dos poderes fieis e revitalizados… A parte sonora de Street Fighter IV acompanha os gráficos – arrisco até a dizer que os supera. A abertura já dá uma palhinha do que esperar: uma canção cantada muito bacana, que gruda na cabeça. Os sons dos menus lembram vagamente os de versões antigas, mas sem parecer piegas ou estranho. Faltou algumas músicas clássicas, como a do Ryu. Talvez um trabalho de remixagem, como foi feito em Street Fighter Alpha, ficasse melhor.
Os gritos são sempre os mesmos, algo que, acreditava eu, existisse nas primeiras versões por limitações de hardware. Afinal, é impossível gritar a mesma coisa exatamente igual todas as vezes. Algumas variações cairiam bem. Por outro lado, todos os gritos de poderes especiais são novos, e ficaram muito, mas muito bons. Preparem-se para muitos “hadouken”, “shoryuken”, “tiger robocop” (haha!) e outros tão famosos.
Embora eu tenha tomado algumas surras jogando online contra pessoas que jogam pelo teclado, recomendo fortemente a aquisição de um joystick para jogar Street Fighter IV. Não precisa ser uma réplica de um arcade; um daqueles PS2-like já quebra o galho. A experiência muda completamente, para melhor, com a utilização de um joystick.
Se você já jogou algum Street Fighter em sua vida, não terá dificuldades em se adaptar a SFIV. Os controles pouco mudaram, apenas uma padronização (bem-vinda) em Super Combos e Ultra Combos, e alguns incrementos no gameplay, como o bacana focus attack, que defende, contra-ataca e, ao mesmo tempo, recupera energia. Para ativá-lo, aperte e segure soco e chute médio. Os Ultra Combos são novos, e são ativados com a barra Ultra cheia. Ela se enche quando você leva uns sopapos, e o comando para soltá-los é o mesmo do Super Combo, com a diferença de ter que se pressionar os três botões (de soco ou chute), ao invés de um só. Além do golpe em si ser diferente, há todo um jogo de câmera bem bacana.
Confira um vídeo, do GameTrailers, mostrando todos os Ultra Combos do jogo:
O jogo é uma sequência de Street Fighter III, sim, mas senti falta de alguns elementos empregados com sucesso em Street Fighter Alpha. Como a defesa aérea, que faz muita falta. É uma jogabilidade mais clássica, agradável e divertida, mas que não perderia seu charme com alguns incrementos modernos.
A resposta dos controles é rápida; só sofre algum delay no modo online, mesmo que seu adversário tenha boa conexão. Para atestar essa deficiência, pule e dê um chute forte; agora faça o mesmo jogando localmente. Viu?
Aos novatos, uma dica legal: no menu de pausa, durante as lutas, existe a opção Command List. Nela é possível ver todos os movimentos de todos os jogadores, incluindo especiais, Super Combos e Ultra Combos.
Os bons e velhos Arcade e Versus continuam firmes e fortes, e foram aperfeiçoados. No arcade, é possível permitir que sua campanha seja interrompida por usuários online, que te chamam para uma luta apartada. Parecido com quando o segundo jogador aperta Start no joystick. Só recomendo a quem estiver a fim de zerar o jogo desabilitar; não sei se é febre de lançamento, mas é impossível completar uma luta contra a máquina com esse modo ativado.
O versus sofreu melhorias. Agora é possível lutar descompromissadamente contra a máquina. Nas lutas contra um amigo, localmente, há um contador de vitórias bem bacana, que estimula a disputa. Pequenos e simples adições que influenciam positivamente a experiência de jogo.
Ainda há outros modos comuns nas versões console da franquia, como Survival e Time attack. Em SFIV, eles, além de desbloquear achievements, também desbloqueiam itens especiais, como comemorações, novas cores de roupas e itens da galeria, como artworks e imagens de divulgação. Os desafios são legais, vale a pena “perder” algum tempo ali, até mesmo para aprimorar a técnica.
O grande ponto, porém, está na jogatina online. Provida pela LIVE, da Microsoft, é preciso fazer uma gambiarra para jogar a partir do Brasil. Depois desse início meio traumático, a coisa flui. É difícil estabelecer uma boa conexão com jogadores de outros continentes, logo, o ideal é adicionar amigos brasileiros na LIVE, e lutar contra eles.
Street Fighter é Street Fighter, e após um jejum tão grande sem novos jogos expressivos da franquia, SFIV tem sido um deleite a todos os fãs que sentiam faltam de um game moderno da franquia. As lutas são disputadíssimas, e mesmo jogando sozinho é possível entreter-se com os diversos modos disponíveis, os lutadores para desbloquear, e a busca dos finais e extras de cada personagem. O multiplayer local é bom, como sempre, e o online adiciona muitos pontos à longevidade do título – fator replay nota dez.
O jogo é pesadinho, de modo que meu PC sofreu para rodá-lo e, ao mesmo tempo, gravar as imagens. As “travadinhas” no vídeo decorrem do FRAPS; sem ele, o jogo roda liso, a 60 fps:
Street Fighter IV inova na medida certa, e preserva as características que fizeram da franquia uma das mais famosas e divertidas da história. É um jogo bonito, bem feito e com muitas opções que elevam a diversão e estendem a vida do jogo. O modo multiplayer, embora dependente da LIVE, funciona bem, e permite partidas online divertidas. Grande jogo, do tipo de se ter em casa para jogar quando os amigos aparecerem (na sua porta ou na LIVE).
Para ajudar os leitores a se decidirem pela compra ou não de um jogo, estreamos, com essa análise, o “valorômetro”, um selo que indica o quão um jogo vale a pena, independente da nota, tendo como principal critério o fun factor e o fator replay. E Street Fighter IV recebe o selo…:

Street Fighter IV ainda não chegou oficialmente ao Brasil, mas é possível comprá-lo pelo Steam, na Impulse ou na Direct2Drive. Em todas elas, o preço gira em torno de U$ 39,99.