Prototype

Artur Carsten Em Análises

Prototype topoConheça Prototype, o título sandbox de ação incessante desenvolvido pela canadense Radical Entertainment, e sem dúvida, um dos jogos mais divertidos do ano. Atrasado algumas vezes e cercado de muita euforia antes de seu lançamento, principalmente por causa de seus trailers empolgantes, Prototype parece ter elevado a violência gratuita nos jogos para um novo panorama, muito além do politicamente incorreto Grand Theft Auto. Sem mais papo, vamos à análise. Boa leitura!

Ficha técnica

PrototypeNome: Prototype;
Desenvolvedora: Radical Entertainment;
Distribuidora: Activision/Valve (Steam, via download);
Lançamento: 9 de junho de 2009 (América do Norte);
Plataformas: PC, Xbox 360 e PlayStation 3;
Gênero: Ação em terceira pessoa; Sandbox;
Modos: Singleplayer;
Classificação: Mature (18+);
Compre Prototype no Steam

Requisitos mínimos

  • Windows XP SP3 ou Vista;
  • Processador Intel Core 2 Duo 2,6 GHz ou AMD Athlon 64 X2 4000+, ou superior;
  • 1 GB de memória RAM (2 GB para Windows Vista);
  • 8 GB de espaço livre no HD;
  • Placa de vídeo GeForce 7800 GT ou superior / ATI Radeon X1800 ou superior, com 256 MB de memória, compatível com DirectX 9.0c.

Prós:

  • Enredo intrigante, envolvente e cheio de lacunas, muito bem elaborado;
  • Jogabilidade extremamente divertida, cheia de ação, possibilidades e um cenário enorme para ser explorado;
  • Sensação de liberdade e poder infinito, graças as habilidades surreais e devastadoras do protagonista;
  • Clima caótico repleto de muito sangue, vísceras, mortes horrendas, toneladas de militares e mutantes macabros;
  • Boa duração da campanha singleplayer, ultrapassando 15 horas de jogo.

Contras:

  • Falta de polimento gráfico, que ocasiona visuais não muito bonitos, pop-ins constantes e baixa qualidade das texturas, mesmo com configurações gráficas lá em cima.
  • Missões repetitivas e pouco originais, com objetivos diretos demais. O mesmo vale pra serviços secundários que aos poucos começam a se tornar frustrantes e inúteis.
  • Sistema de mira e movimentação um pouco falhos, em certos momentos.
  • Algumas bizarrices causadas pela “inteligência” artificial dos oponentes.

Introdução

Sandbox (caixa de areia, em tradução literal) é o estilo de jogo onde há um cenário gigantesco para ser explorado da forma como o jogador desejar. Há diversas possibilidades de se executar um certo objetivo, sendo elas escolhidas pelo próprio jogador, sem uma pré-definição e/ou trajeto estabelecido.

GTA IV

Um dos grandes exemplos desse modelo é a franquia de maior sucesso da história dos vídeogames, Grand Theft Auto, da Rockstar Games, onde o protagonista é livre para fazer o que bem entender dentro dos limites técnicos do jogo. O exemplo mais recente é Grand Theft Auto IV, ambientado em Liberty City, quase que totalmente baseada na gigantesca metrópole de Nova Iorque. O título que estamos prestes a analisar, também visita a maior cidade do mundo, só que desta vez, assolada por um atentado biológico. Adapte-se para relembrar seu passado, bem-vindo a Prototype!

Visão geral

Seu nome é Alex Mercer, um sujeito que acorda durante uma autópsia dentro de um necrotério da GENTEK, uma gigante companhia que testa armas biológicas desenvolvidas através de engenheria genética. Sem lembrar de praticamente nada, Alex escapa e logo descobre que é capaz de modificar seu corpo de modo a favorecê-lo com habilidades surreais.

Também nota que a ilha de Manhattan está sob quarentena imposta pelos militares e por um corpo de mercenários conhecido como Blackwatch. O fato é que um potente vírus geneticamente modificado foi solto no meio da ilha e agora vários cidadãos estão aos poucos se transformando em mutantes grotescos, alguns fracos, outros enormes. Enquanto Nova Iorque sucumbe com o surto do vírus, Alex, como um bom anti-herói, tenta apenas encontrar o culpado de toda a confusão causada a ele e à cidade, iniciando uma história bastante interessante, mesmo que não muito original, cheia de mistérios e personagens intrigantes.

Logo na missão de treinamento do jogo, que se passa no auge da infecção no meio do Times Square, já é possível ter uma boa ideia da dose de diversão e adrenalina que as habilidades devastadoras de Alex proporcionam ao jogador. Vamos ser diretos: o protagonista é capaz de escalar prédios simplesmente prendendo seus pés na parede e correndo como se a gravidade nunca tivesse existido, cair do topo do Empire State Building e abrir uma cratera no meio da rua sem tomar um arranhão se quer, arremessar carros e veículos blindados nos inimigos, correr mais rápido que o Flash e ainda planar sob a cidade.

Mas calma, isso não é tudo! Até aí, citamos suas habilidades mais “leves” – é isso mesmo campeão, segure o fôlego que ainda tem mais. A diversão só começa mesmo quando é necessário estraçalhar – sim, a palavra “matar” é pouco neste caso – os inimigos pra valer. Alex pode transformar seus punhos em martelos e usá-los para arrebentar blindagens, tornar seus dedos em lâminas afiadíssimas, no maior estilo Wolverine, para fatiar inimigos ao meio ou quem sabe adaptar seu próprio braço para ser um machado descomunal ou um chicote cheio de estilhaços para dividir verticalmente e simetricamente seus oponentes – sutil, não? – e ver suas vísceras vazando no meio da rua – por isso é bom que você tenha estômago forte e um saco de vômito do lado do seu teclado. Isso tudo sem falar em usar soldados como prancha de surfe (rá!).

Deu pra notar que não exageramos quando citamos lá nos Prós que o protagonista tinha habilidades “surreais e devastadoras”. O desafio é como bolar uma trama e missões para um personagem que só Chuck Norris teria coragem de enfrentar (ou não!). Pelo que parece, faltou um pouco de criatividade, já que as missões principais seguem quase sempre o mesmo panorama: dirija-se ao ponto A, destrua os objetos B e C e retorne ao ponto D, sendo que em 90% da trama, as missões são aplicadas pela mesma pessoa, a ex-namorada de Alex.

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Soldados de Elite? Perto dessa lâmina não...

Qual seria então a melhor maneira de criar desafios? Entupir – lembre que não estamos exagerando – a tela de oponentes, sejam eles militares ou mutantes. Aliás, enquanto as missões principais conduzem a trama, há alguns serviços secundários, que começam a encher a paciência depois de um tempo, espalhados pela cidade. Eles variam desde do bom e velho Kill Frenzy, onde você deve cortar ao meio o máximo de gente possível dentro de um certo tempo, até algumas tarefas de consumir pessoas. Mas pera aí, CONSUMIR?! Pois é, uma das habilidades que Alex desenvolveu é de consumir pessoas simplesmente se aproximando de uma e absorvendo seu corpo para então assumir a aparência de suas vítimas e ter acesso às suas memórias, o que, consequentemente, ajudará Alex no processo de recuperação de sua estranha amnésia. Tais memórias são apresentadas em vídeos curtos, mas muito bem bolados, e arquivadas em um menu chamado de “Web of Intrigue“.

Talvez as únicas missões que realmente sejam divertidas e auxiliem na evolução do personagem sejam aquelas de destruir instalações infectadas e bases militares. Mas, ei, Alex não é um mutante? Não, é um anti-herói, se lembra? Essa aparente “neutralidade” dá a liberdade ao jogador de “ajudar” qualquer um dos lados, militares ou a trupe das criaturas bizarras. A medida que a trama avança, vários focos de infecção, bem como a influência dos militares são mostrados em círculos coloridos no mapa (é, tem um mapa). Ocasionalmente, a área de influência das tropas armadas podem entrar em conflito com regiões infectadas, criando um belo cenário caótico de guerra. No meio do quebra-pau, Alex pode optar por ajudar os militares, utilizando suas habilidades para mandar abaixo as Hives, edifícios-focos da infecção ou se infiltrar em bases militares, consumindo oficiais, assumindo seus disfarces e, na hora certa, despachando a galera do Tio Sam.

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Está brotando espinhos! Hora de colher alguns corpos.

Há também um sistema de mira opcional bacana, quando funciona direito. Ativado pela tecla TAB, esses sistema imediatamente trava no centro da tela o inimigo mais hostil das redondezas. Bom se fosse sempre assim, já que na maioria das vezes o sistema trava alvos errados que você acaba atacando por engano. Para deixar o jogador atento, vale lembrar também de uma barrinha no canto inferior esquerdo da tela que muda de cor de acordo com as ações das forças armadas pra cima de você: se estiver vermelho é porque querem sua cabeça, amarelo é porque estão de olho em você ou apagada, quando não há ninguém olhando.

Por fim e não menos imporante, tanto as missões principais quanto as secundárias, dão ao jogador quantidades de experiência que podem ser trocadas no menu “Upgrades” por novas habilidades bizarras ou melhorias pra aquelas já existentes. Pena que esse seja o único motivo para executar certos serviços, porque, acredite, por mais que Alex seja uma arma de destruição em massa sobre duas pernas, essas missões paralelas se tornarão um pé-no-saco em pouco tempo.

Gráficos

Matança pra lá, vísceras pra cá, mas infelizmente toda esse caos não foi tão bem representado visualmente quanto poderia. Se o seu computador bate, pelo menos, exatamente com os requisitos mínimos, eu lhe garanto que você pode ir até o menu de opções gráficas e colocar tudo no máximo, sem nenhuma preocupação.

Sim, Prototype é leve, até demais pra um jogo de sandbox com a gigantesca Manhattan como plano de fundo. Mas essa aparente leveza, ao invés de contribuir, pode acabar decepcionando aqueles que esperam por um grau de detalhes maior. Não se deixe enganar pelo vídeo (acima) muito bem feito em CGI (animação gráfica) logo no início do jogo, pois quando o jogador finalmente assume o comando de Alex, o que notamos é uma pobreza visual inexplicável das texturas e modelos.

A cidade tem um visual meio morto, sempre com as mesmas cores, apesar de apresentar centenas de pedestres e carros espelhados pelas ruas (não, espalhados pelas nuvens, duh). Os monstros também apresentam um visual esquisito, bem pobre. Talvez um dos poucos modelos que mereçam destaque sejam os dos soldados e dos veículos militares, principalmente, que foram muito bem trabalhados. E é claro, o show de horrores e tripas apresentado pelos poderes apocalípticos de Alex também recebe mérito, graças aos personagens bastante “recortáveis”.

Áudio

Com exceção da voz um pouco rouca de Alex, dublado pelo ator Barry Pepper – o sniper religioso do filme “O Resgate do Soldado Ryan” – não há muito o que falar do áudio de Prototype. O jogo usa tecnologia de som DTS que garante explosões, tiros e músicas de qualidade àqueles que possuem um sistema de aúdio mais refinado.

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Um dos ataques mais avassaladores de Prototype: Tendril Barrage Devastor

Fun factor e fator replay

Nunca foi tão fácil ter Manhattan na palma de suas mãos. A liberdade é gigantesca, os poderes quase ilimitados, o protagonista é praticamente imortal e o mapa é enorme. Toneladas de inimigos na tela, sejam eles militares ou mutantes, com uma “inteligência” artificial discutível, garantem horas e horas de uma matança desenfreada, parecendo que vai jorrar sangue do seu monitor a qualquer instante.

De fato, não é preciso avançar muito em Prototype para notar o poder devastador do protagonista, e é exatamente isso que o torna indiscutivelmente divertido. O problema é que esse pouco tempo entre o começo da campanha até o auge de desenvolvimento do protagonista não é tão longo como deveria e, aos poucos, vai ficando chato fatiar uma divisão inteira de soldados de elite apenas transformando seus dedos em lâminas do tamanho de carros e perfurando todo mundo ao seu redor com um clique do mouse. A cena é linda, mas a satisfação começa a virar obrigação.

Os pontos de experiência necessários para a compra de upgrades são bem fáceis de ser acumulados, já que praticamente toda ação resulta numa pequena bonificação, e antes da metade do jogo, é possível ter milhões deles e comprar super-poderes sem nem ler sua descrição. O fato de transbordar experiência, acaba inutilizando as missões secundárias, que têm exatamente a função de deixar o jogador rico. Aí sobram as missões primárias, que repetitivas e pouco originais, só atraem o jogador por causa da trama bem bolada.

Há também a possibilidade de roubar e pilotar veículos, entre eles blindados e helicópteros, mas com exceção das missões principais, tal possibilidade é inútil perto dos poderes de Alex e não é tão incentivada assim. Ao menos, ao completar Prototype, é possível jogá-lo novamente na mesma dificuldade com todos os poderes do personagem já desbloqueados de cara e aí você entenderá o que é matar gente feito mosca.

Para terminar, assista abaixo ao vídeo de gameplay de Prototype gravado pelo Campo Minado, com cerca de 9 minutos de duração, apresentando vários pontos da jogabilidade e enredo.

Veredicto

Prototype, apesar do visual pouco polido e objetivos chatinhos, é um prato cheio (e indispensável) para gamers hardcores: violência gratuita e tripas jorrando, um protagonista que destrói meio mundo com um soco no chão, uma Manhattan tomada pelo caos e desespero, e missões bem diretas, sem muita enrrolação. A produção pode não ser de primeira, mas a experiência é, sem sombra de dúvidas, uma das mais divertidas e sangrentas do ano.

Notas

  • Jogabilidade: 8,5
    Apesar de tantos poderes e tantas habilidades incríveis, a jogabilidade é relativamente simples, regada à uma liberdade quase infinita do protagonista. Entretanto, o sistema de mira falho, principalmente, pode se tornar frustrante.
  • Enredo: 9,0
    História envolvente, que exige atenção daqueles que gostam de acompanhá-la missão-a-missão, com personagens que vêm e vão, várias lacunas e reviravoltas interessantes que não deixam a desejar.
  • Gráficos: 7,0
    Confesso que os gráficos tiraram a possibilidade de Prototype se consagrar com um dos melhores de sua geração. O motor é competente e leve, mas o trabalho porco nas texturas são de arder os olhos.
  • Áudio: 9,0
    Som DTS garante áudio impecável àqueles que podem suportá-lo.
  • Fun Factor: 9,0
    Diversão é o que não falta com habilidades tão devastadoras e um mapa bacana. O único empecilho é a falta de desafio constante ou de algo que chegue perto de ameaçar a hegemonia destruidora de Alex.
  • Multiplayer: N/A
  • Nota final: 8,5

Onde comprar

Infelizmente, Prototype só é comercializado no Brasil em versões para Xbox 360 e PlayStation 3. Para arranjar a versão de computador, o jeito é apelar para importadores ou para a loja online Steam, onde é vendido por US$ 49.99, cerca de 100 reais.

  • Cara, roteiro cheio de lacunas é ponto positivo? E a resenha foi feita sobre a versão de PC, certo?
  • É positivo se levarmos em conta que tais lacunas são completadas à medida que a história avança, o que instiga o jogador a prosseguir firme no jogo.

    Sim, foi feito sobre a versão de PC. :)
  • Ah ta, daí sim ;)
    Boa análise, a propósito. Achei longa, mas boa.
  • Moisés
    Eu comprei o meu no pré-venda do Steam, to adorando! :D

    Mas a parte de "assistir" as memórias do Web of Intrigue é MUITO complicada... :S
  • Alexandre Franco
    Boa análise, principalmente pelo vídeo, me deu vontade de jogar xD . Só estou com o pé atrás se vai ou não rodar no meu Pentium 4, mesmo com você dizendo que com os requisitos mínimos já é possível deixar os gráficos num nível considerável.

    E multiplayer, nada?

    FLws!
  • Nada.
  • arkan
    Jogaço...estou no nivel mans likes goods

    muito bom um dos memlhores jogos q joguei
  • Muito foda!
    to quase fazendo vaquinha pra comprar
  • joao
    jogo é excelente!! to viciado =P
  • jogo perfeito, to jogando no hard, mto bom
    tem hora que por mais que vc corra ou mata, vc explode em seguida
    hahahhaah
  • Cara, só uma coisinha...
    Posso estar enganado, mas acho que te dá as missões para fazer é a Irmã de Alex (A Morena), e não a ex-namorada (A Loira)... Certo?
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